Chama-se #cidadaniaXXI e assume-se como uma “plataforma cívica” pela “garantia da liberdade e dos direitos fundamentais” e pelo “equilíbrio nas medidas do controlo sanitário”. Já terá reunido cerca de cinco centenas de pessoas de vários quadrantes e emitiu este domingo um comunicado, criticando as decisões do Governo no âmbito do estado de emergência

“Somos cidadãs e cidadãos, organizações, empresas e instituições portuguesas e defendemos a Ciência, a Saúde, a Vida, a Liberdade, a Democracia e a Constituição Portuguesa. Apartidário e independente, este manifesto congrega diferentes quadrantes ideológicos e diversos sectores da sociedade que apelam ao Governo para que faça uma gestão equilibrada deste desafio, com honestidade e transparência e minimizando todos os danos humanos, sociais e económicos que possam advir”. Este é o arranque do manifesto do grupo cívico “CidadaniXX”, criado há menos de um mês e que já terá sido subscrito por mais de cinco centenas de pessoas.

A plataforma tem um núcleo duro formado por “pessoas críticas e atentas à falta de fundamentação científica das medidas adotadas e não pretendemos ter posições partidárias, mas procurar fontes de informação alternativas para fazer o contraditório de forma a que haja um fundamento racional em tudo o que se está a passar”, explicou ao Expresso António Jorge Nogueira, empresário e um dos fundadores do movimento. “Temos receio de entrar numa segunda fase de erros sistemáticos, que possam causar ainda mais danos económicos, sociais e na saúde mental da população. Este é um exercício de cidadania junto do poder político porque tudo o que tem acontecido nos levanta muitas dúvidas”, concluiu.

Os próximos passos serão os pedidos de audiências junto do Presidente da República, do presidente da Assembleia, dos partidos políticos com assento parlamentar, da provedora de Justiça e ainda dos bastonários das ordens dos médicos, enfermeiros e dos advogados.

Num comunicado emitido este domingo, o movimento critica as medidas adotadas no âmbito do estado de emergência. “É com profunda consternação que a Plataforma Cívica Cidadania XXI assistiu ao anúncio de uma série de novas medidas desproporcionais no combate à pandemia do vírus SARS-CoV-2. É com frustração que vemos o pro-fundo impacto que estas medidas terão na sociedade portuguesa, e por isso desde já manifestamos a nossa total solidariedade com todos os comerciantes, lojistas, empresários e demais trabalhadores dos sectores de atividade que serão fortemente penalizados pelas novas medidas do Governo – a terminar um ano já terrível a vários níveis”, pode ler-se no documento.

“A Cidadania XXI considera este ato ainda mais abjeto por serem medidas que se baseiam em dados incompletos, parciais e descontextualizados, suportados por uma metodologia absurda criada pela Organização Mundial da Saúde. No entender da Plataforma, o Governo, com o apoio do Presidente da República e de alguns partidos com assento parlamentar, está a copiar para Portugal uma estratégia de controlo da epidemia cujos efeitos noutros países europeus são desastrosos, do ponto de vista sanitário, social e económico” continua o texto divulgado.

Como conclusão, o texto alerta que “a Cidadania XXI reitera que irá insistir no apuramento de responsabilidades de todos os danos que estas medidas abusivas do Governo venham a causar aos portugueses e a Portugal. Por fim, a Plataforma urge a sociedade civil ao diálogo e debate num tema que precisa de uma visão mais alargada e de uma participação mais activa de todos na tomada de decisões”.

https://expresso.pt/coronavirus/2020-11-08-Covid-19-Grupo-de-cidadaos-questiona-opcoes-do-Governo